Pronatec Campo oferece cursos gratuitos em Uberaba
quarta-feira, 19 de setembro de 2012A Fundação de Ensino Técnico Intensivo Doutor Renê Barsam (Feti) junto com a Secretaria de Agricultura de Uberaba, no Triângulo Mineiro, começaram a desenvolver, nesta semana, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec) Campo, destinado aos trabalhadores que moram na zona rural. Pessoas com mais de 16 anos e que moram na zona rural podem participar.
Segundo a diretora executiva da Feti, Cristina Beatriz Paranhos Silva, a primeira modalidade do Pronatec foi para o Bolsa Família estendido para o Cadastro Único. No segundo semestre abriu para as pessoas que estão recebendo o seguro desemprego e agora surge o Pronatec Campo.
Por enquanto os órgãos estão em fase de formatação com os ofertantes, que também ministrarão os cursos. São eles: o Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) e a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). “Nós estamos mobilizando as comunidades e lideranças rurais para saber qual é a demanda e o interesse para que elas nos ajudem a definir esses cursos, tentando casar com a vocação local de cada Agrovila”, contou a diretora.
Os cursos devem ser definidos até o final de setembro e as aulas estão programadas para começar até o dia 15 de outubro. As cargas horárias são de 160, 180 ou 200 horas. “As aulas serão nas próprias comunidades, já que as instituições de ensino se disponibilizaram a irem até lá. A fazenda Mata da Vida, por exemplo, tem uma queijaria comunitária. Se todos já souberem fazer queijos não será esse o foco do curso, mas poderemos ensinar a ser empreendedor, como colocar o produto no mercado, ensinar a fazer plano de negócio e planilha financeira”, afirmou Silva.
De acordo com a diretora, cada turma terá 30 pessoas e as instituições têm capacidade para montar quantos cursos forem necessários, já que os recursos estão garantidos pelo governo federal, faltando apenas a demanda. “O grande problema do Brasil é a falta de mão de obra na área técnica e o Pronatec veio para sanar isso com o objetivo de inserir as pessoas no mercado”, contou.
Para participar os interessados precisam ter mais de 16 anos e pertencer ao núcleo familiar da zona rural. Nessa modalidade, não existe critério de renda, mas é preciso um nível mínimo de escolaridade.
De acordo com o secretário de Agricultura Pecuária, Aquicultura, Pesca e Abastecimento, José Humberto Guimarães, dos cerca de 1.800 pecuaristas de Uberaba, 1.500 se dedicam à produção de leite.
“Nós entendemos que para melhorar essa produção, que ocupa tanta gente, tanta terra e é um dos pilares da economia local, é preciso disponibilizar meios para que eles produzam com menor terra e menor custo. Nós estamos com um projeto piloto para ver a execução e saber como introduzir em outras regiões”, destacou Guimarães.
José Humberto contou que os produtores reclamaram que querem ganhar mais. “O litro do leite, por exemplo, é vendido muito barato e a melhor oferta propicia condições adequadas. Esses cursos vão melhorar o empreendimento e empregar a família e se melhorar a renda e maneira de trabalhar, a família se dedicará com muito mais atenção”, completou. Ainda segundo o secretário, Santa Fé, Ponte Alta e São Basílio são Agrovilas potenciais para receberem os cursos.
O produtor rural Pedro Donizete achou uma iniciativa ótima. “Há muitos anos atrás existiam esses cursos, mas eram administrados pelo Senai e depois acabou parando. Eu fiz vários cursos naquela época, como de máquinas agrícolas, manejo de pequenas agriculturas e manejo de gado leiteiro. Era bom demais”, contou.
Além dele, mais quatro funcionários da fazenda na qual ele é proprietário participaram das aulas. “Valeu muito a pena porque tinham pequenos detalhes que nós tínhamos dificuldade e achavámos que a solução era difícil, mas na verdade, fazendo o curso, vimos que era coisa fácil. Eu aprendi muito e se as aulas forem em um período que dê para eu participar, tenho muito interessante”, ressaltou.
Fonte: G1